Chamada para submissão de trabalhos originais para o dossiê monográfico de 2027.

2026-02-12

Nova proposta de dossiê monográfico para a revista Atrio. Revista de Historia del Arte, 2027.

Dispersão do Patrimônio: Novas Perspectivas sobre a Venda, o Roubo, a Desapropriação, a Pilhagem e a Restituição do Patrimônio Cultural.

Editoras: María José Martínez Ruiz (Universidad de de Valladolid) e Zara Ruiz Romero (Universidad de de Sevilla).

Um dos determinantes mais profundos do patrimônio cultural entre os séculos XIX e XX é a descontextualização de inúmeros artefatos, resultante de uma série de circunstâncias. Foi o caso das ações imperialistas de dominação militar e econômica sobre diversos territórios, que levaram à pilhagem e ao saque. Igualmente decisiva foi a forte demanda por obras de arte impulsionada pelo comércio internacional e pelo colecionismo de antiguidades durante o período de formação de importantes museus e coleções particulares, o que incentivou a compra, a venda e a exportação de obras de todos os tipos. Tudo isso resultou na remoção e realocação de artefatos que atualmente se encontram preservados e interpretados de diversas maneiras, em locais muito distantes de suas origens.

Entre os desafios atuais para historiadores da arte, arqueólogos, juristas, curadores de museus, administrações públicas, proprietários e gestores culturais está a compreensão das histórias que levaram esses artefatos aos seus novos locais; bem como a revelação da proveniência de muitos deles, cuja origem ainda é desconhecida, além da investigação das circunstâncias, legais ou clandestinas, que facilitaram sua jornada. Da mesma forma, é crucial elucidar o papel desempenhado pelos envolvidos nessas remoções e seus interesses, sejam eles antiquários, marchands, colecionadores, ladrões, membros de um exército de ocupação ou agentes de diversas naturezas que participaram dessas operações.

As medidas adotadas em resposta a essa dispersão são diversas, como o diálogo cultural, com iniciativas que buscam conectar os locais de origem aos espaços de conservação atuais — por exemplo, criando reproduções que tentam preencher o vazio deixado por essas remoções nos locais originais. A implementação de processos de restituição também ganhou impulso. Portanto, não há dúvida de que essas questões constituem importantes desafios de nosso tempo. Em tais debates, o bem-estar das obras é por vezes ofuscado por discursos veementes impulsionados por diversas preocupações. Do mundo acadêmico, temos a responsabilidade de oferecer respostas cientificamente rigorosas, livres da paixão que por vezes obscurece esses temas, e que enfatizem a história e as circunstâncias únicas de cada obra.

Datas importantes:

Dúvidas e perguntas para: monografico.atrio@gmail.com

Veja a chamada para artigos neste link: https://www.upo.es/revistas/index.php/atrio/libraryFiles/downloadPublic/233

Lembramos que, além das propostas para esta edição, ainda estamos aceitando artigos para a próxima edição que estejam alinhados com os temas da revista.