Capacitismo Afetivo-Sexual e a disputa pela legitimidade do desejo autista nas redes sociais

Autores

DOI:

https://doi.org/10.46661/relies.13192

Palavras-chave:

autismo, sexualidade, capacitismo afetivo-sexual, redes sociais, neurodiversidade

Resumo

Este estudo analisou como a sexualidade autista é produzida, contestada e negociada nas redes sociais a partir das narrativas de criadores de conteúdo autistas que produzem conteúdo adulto e das reações do público expressas nos comentários de suas publicações. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, exploratória e interpretativa, desenvolvida por meio de análise de redes sociais. O corpus foi constituído por vídeos publicados nas redes sociais TikTok, Instagram e X, bem como por comentários públicos associados a esses conteúdos. A análise temática realizada permitiu identificar três categorias centrais: Diagnóstico sob suspeita, Capacitismo afetivo-sexual e a deslegitimação do desejo autista, e Reivindicação da agência afetivo-sexual. Os resultados mostram que quando pessoas autistas tornam pública sua sexualidade, sua autonomia ou sua participação em circuitos eróticos, o diagnóstico tende a ser colocado sob suspeita, ao mesmo tempo em que emergem discursos que associam o autismo à infantilização, à assexualidade ou à incapacidade de consentimento. Em contraposição, os criadores de conteúdo analisados mobilizam narrativas de autoafirmação que reivindicam o direito de desejar, sentir prazer e ser reconhecidos como sujeitos legítimos no campo afetivo-sexual. Conclui-se que a sexualidade autista nas redes sociais se configura como um campo de disputa de narrativas, no qual normas capacitistas são tensionadas por estratégias de resistência e afirmação identitária. O estudo contribui para o aprofundamento das discussões sobre capacitismo afetivo-sexual de pessoas autistas e para a compreensão das redes sociais como espaços contemporâneos de produção de estigma, contestação e reconhecimento.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Ballan, M. S. (2011). Parental perspectives of communication about sexuality in families of children with autism spectrum disorders. Journal of Autism and Developmental Disorders, 42(5), 676–684. https://doi.org/10.1007/s10803-011-1293-y

Benson, K. J. (2023). Perplexing presentations: Compulsory neuronormativity and cognitive marginalisation in social work practice with autistic mothers of autistic children. The British Journal of Social Work, 53(3), 1445–1464. https://doi.org/10.1093/bjsw/bcac229

Braun, V., & Clarke, V. (2023). Toward good practice in thematic analysis: Avoiding common problems and becoming a knowing researcher. International Journal of Transgender Health, 24(1), 1–6. https://doi.org/10.1080/26895269.2022.2129597

Brilhante, A. V. M., Filgueira, L. M. A., Lopes, S. V. M. U., et al. (2021). “Eu não sou um anjo azul”: A sexualidade na perspectiva de adolescentes autistas. Ciência & Saúde Coletiva, 26(2), 417–423. https://www.scielo.br/j/csc/a/CLJhwP677n6865nSVZW78hf/ https://doi.org/10.1590/1413-81232021262.40792020

Butler, J. (2018). Problemas de gênero: Feminismo e subversão da identidade. Editora José Olympio.

Campbell, F. K. (2008). Exploring internalized ableism using critical race theory. Disability & Society, 23(2), 151–162. https://doi.org/10.1080/09687590701841190

Cardano, M. (2017). Manual de pesquisa qualitativa: A contribuição da teoria da argumentação (E. R. Conill, Trad.). Vozes.

Catala, A. (2023, April 11). Understanding neurodiversity, unlearning neuronormativity. Blog of the APA. https://blog.apaonline.org/2023/04/11/understanding-neurodiversity-unlearning-neuronormativity/

Désormeaux-Moreau, M. (2024). Saberes sobre o autismo e saberes autistas: Reflexão sobre as questões epistemológicas e as injustiças epistêmicas que caracterizam a pesquisa e o conhecimento no campo do autismo. Cahiers franco-latino-américains d'études sur le handicap, (2). https://dx.doi.org/10.56078/cfla_discapacidad.373

Foucault, M. (1988). História da sexualidade I: A vontade de saber (M. T. da C. Albuquerque & J. A. G. Albuquerque, Trads.). Edições Graal. (Original work published 1976)

Fricker, M. (2007). Epistemic injustice: Power and the ethics of knowing. Oxford University Press. https://doi.org/10.1093/acprof:oso/9780198237907.001.0001

Hervas, Amaia, & Pont, Carlota. (2020). Desarrollo afectivo-sexual en las personas con trastornos del espectro autista. Medicina (Buenos Aires), 80(Supl. 2), 7-11. Recuperado en 09 de mayo de 2026, de https://www.scielo.org.ar/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0025-76802020000200003&lng=es&tlng=es.

Kristeva, J. (1982). Powers of horror: An essay on abjection. Columbia University Press.

Lo Bosco, M. C. (2023). ‘Bodies that never grow’: How psychiatric understanding of autism spectrum disorders affects autistic people's bodily experience of gender, ageing, and sexual desire. Journal of Aging Studies, 64, Article 101110. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36868614/ https://doi.org/10.1016/j.jaging.2023.101101

Louro, G. L. (2000). Pedagogias da sexualidade. In G. L. Louro (Ed.), O corpo educado (2nd ed., pp. 7–24). Autêntica.

Maia, A. C. B. (2011). Inclusão e sexualidade: Na voz de pessoas com deficiência física. Juruá.

Maia, A. C. B., & Ribeiro, P. R. M. (2010). Desfazendo mitos para minimizar o preconceito sobre a sexualidade de pessoas com deficiências. Revista Brasileira de Educação Especial, 16(2), 159–176. http://educa.fcc.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-65382010000200002&lng=pt&tlng=pt https://doi.org/10.1590/S1413-65382010000200002

Marinho, R. J. S. (2025). Entre o altar e o corpo abjeto: um ensaio fenomenológico sobre religiosidade, sexualidade e autismo. PLURA, Revista De Estudos De Religião PLURA, Journal for the Study of Religion, 16(2), e160223. Recuperado de https://revistaplura.emnuvens.com.br/plura/article/view/2470

Marinho, R. J. S. (2026). O autista cresce: Desvendando a sexualidade e a educação sexual de jovens autistas (Dissertação de mestrado). Universidade Salgado de Oliveira.

McRuer, R. (2021). Teoría crip: Signos culturales de lo queer y de la discapacidad. Kaótica Libros.

Mello, A. G. D. (2016). Deficiência, incapacidade e vulnerabilidade: Do capacitismo ou a preeminência capacitista e biomédica do Comitê de Ética em Pesquisa da UFSC. Ciência & Saúde Coletiva, 21, 3265–3276. https://doi.org/10.1590/1413-812320152110.07792016

Milton, D. E. (2012). On the ontological status of autism: The ‘double empathy problem’. Disability & Society, 27(6), 883–887. https://doi.org/10.1080/09687599.2012.710008

Ottoni, A. C. V., & Maia, A. C. B. (2019). Considerações sobre a sexualidade e educação sexual de pessoas com transtorno do espectro autista. Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, 14(esp. 2), 1265–1283. https://doi.org/10.21723/riaee.v14iesp.2.12575

Souza, Q., & Quandt, C. (2008). Metodologia de análise de redes sociais. In F. Duarte, C. Quandt, & Q. Souza (Orgs.), O tempo das redes (pp. 31–63). Perspectiva.

Walker, N., & Raymaker, D. M. (2021). Toward a neuroqueer future: An interview with Nick Walker. Autism in Adulthood, 3(1), 5–10. https://doi.org/10.1089/aut.2020.29014.njw

Publicado

2026-05-11

Como Citar

Jesus Santos Marinho, R., & Daiana C´único, S. (2026). Capacitismo Afetivo-Sexual e a disputa pela legitimidade do desejo autista nas redes sociais. RELIES: Revista Del Laboratorio Iberoamericano Para El Estudio Sociohistórico De Las Sexualidades, 1–17. https://doi.org/10.46661/relies.13192

Edição

Secção

Miscelánea